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MEUS TEMORES
Rose Arouck
Minhas estrelas se apagaram meu céu ficou escuro.
Nublou-se minha alma na falsa calma.
Sou agora mais uma sombra à vagar,
Mais um gesto à rogar...
E meu grito soa fúnebre e inseguro
Fazendo par com as aves agourentas que tento afastar.
Só a silhueta de teu silêncio permanece intacta.
Agora minha escala de certezas
Atinge o grau máximo de tristeza.
Nada mais importa, não estás comigo.
Vou fazer de conta que ainda assim consigo
Dizer-te que, nessa distância que nos separa
Não é o tempo algoz que dispara
O controle de cada amanhecer,
E sim, o vácuo de uma saudade esquecida,
A dor de amar e não ser compreendida,
A incompreensão que mata sem saber.
SOU EU
Que atravessa a noite escura,
Numa sádica procura
Dos ardentes beijos teus.
Sou eu... quem, detendo feito louca,
Imagens da tua boca,
Imagina com voz rouca
Palavra que se perdeu;
Tu me dizes: eu te amo!
Nas tormentas, aos mil enganos,
Do presente desses anos
Roguei para que viesses;
Que saísses da neblina
Que esfumaça as dores minhas
No céu que de amor padece.
Sou eu que torna a ilusão,
Uma comovida canção,
Que sublima e enternece.
Hoje, sou eu, que te implora,
Que suplica; não deixe agora
Essa sensação morrer...
Sou a vestal sucumbida,
Que destila sons embebida
Nesta ânsia de viver...

FELINA
Em cada cio, eu transponho a tua porta;
Invisível para os olhos em perdição.
Arrasto-me ferida, o delírio me transporta,
fugindo ao tato real sem ter razão.
Farejo o teu cheiro ensandecida
E te encontro no vazio da solidão...
Com grande salto te entregas à minha gula
A voz em eco que ressoa estrangula
Em mim o grito exarcebado de pretensa possessão;
Rugindo em ânsias me entrego insaciável
Ao teu desejo feroz que me alucina...
Sinto tua língua penetrante que me anima
Deixando em mim um gosto acre, comparável
Ao sangue que jorra de uma presa longa e fina.
Preso em minhas garras de fêmea fui faminta
E saciei em ti meu apetite;
Ressoando no deserto deixo extinta
A certeza de uma boca que não minta,
Para cuspir todo fel que em mim existe
E inebriar-me do doce cálido que ainda sinta.

RIA PALHAÇO!
Ria palhaço!
Ergue os braços,
alcança o céu
do amor e da alegria;
distribui ao mundo parte de tua euforia
para secar as lágrimas desconsoladas,
que escorregam de nossas faces lavadas
pelo rio do desencanto e da agonia.
canta palhaço!
Espalha o teu eco no mormaço,
joga tua voz rouca nos picadeiros do mundo,
com o som de todos os vagabundos
que esperneiam diante da solidão.
Brinca palhaço!
pula em estilhaço,
envolve o humor do teu lado são,
disseminando esperanças desmedidas
no âmago das cidades reprimidas
pela covarde falta de opção.
Chora palhaço!
verte teu cansaço...
Molha com tuas lágrimas a dor;
esquece tuas mágoas, teu mal de amor.
Chora pra aliviar teu amargor,
mas, vê se não borras a maquiagem
o espetáculo continua, e tua imagem
tem que estar em perfeito resplendor.
Rose Arouck
SP-Brasil

Español: Rosenna
MIS TEMORES
Rose Arouck
Mis estrellas se apagaron mi cielo quedó oscuro..
Se nubló mi alma en la falsa calma.
Soy ahora una sombra mas vagando,
Un gesto más a rogar...
Y mi grito suena fúnebre e inseguro
Haciendo par con las aves de mal agüero que intento apartar.
Sólo la silueta de tu silencio permanece intacta.
Ahora mi escala de certezas
Alcanza el grado máximo de tristeza.
Nada más importa, no estás conmigo.
Voy hacer de cuenta que aún así consigo
Decirte que, en esta distancia que nos separa
No es el tiempo verdugo que dispara
El control de cada amanecer,
Y si, el vacío de una añoranza olvidada,
El dolor de amar y no ser comprendida,
La incomprensión que mata sin saber.
SOY YO
Que atraviesa la noche oscura,
En una sádica búsqueda
De los ardientes besos tuyos.
Soy yo... quien, deteniendo hecho loca,
Imágenes de tu boca,
Imagina con voz ronca
Palabra que se perdió;
Tu me dices: yo te amo!
En las tormentas, a los mil engaños,
Del presente de esos años
Rogué para que vinieras;
Que salieras de la neblina
Que humareda los dolores míos
En el cielo que de amor padece.
Soy yo que torna la ilusión,
Una conmovida canción,
Que sublima y enternece.
Hoy, soy yo, que te implora,
Que suplica; no dejes ahora
Esa sensación morir....
Soy la vestal sucumbida,
Que destila sonidos embebida
En esta ansia de vivir...

FELINA
En cada celo, yo transpongo tu puerta;
Invisible para los ojos en perdición.
Me arrastro herida, el delirio me transporta,
huyendo al tacto real sin tener razón.
Aspiro tu olor enloquecida
Y te encuentro en el vacío de la soledad...
Con gran salto te entregas a mi gula
La voz en eco que resuena estrangula
En mi el grito exacerbado de pretendida posesión;
Rugiendo en ansias me entrego insaciable
A tu deseo feroz que me alucina...
Siento tu lengua penetrante que me anima
Dejando en mí un gusto acre, comparable
A la sangre que chorrea de una presa larga y fina.
Preso en mis garras de hembra fui hambrienta
Y sacié en ti mi apetito;
Resonando en el desierto dejo extinta
La certeza de una boca que no mienta,
Para escupir toda la hiel que en mi existe
Y embriagarme del dulce cálido que aún sienta.

RÍE PAYASO!
Ríe payaso!
Yergue los brazos,
alcanza el cielo
del amor y de la alegría;
distribuye al mundo parte de tu euforia
para secar las lágrimas desconsoladas,
que corren de nuestras caras lavadas
por el río del desencanto y de la agonía.
canta payaso!
Esparce tu eco en la neblina,
juega tu voz ronca en los picaderos del mundo,
con el sonido de todos los vagabundos
que se quejan delante de la soledad.
Juega payaso!
salta en astillazo,
envuelve el humor de tu lado está,
diseminando esperanzas desmedidas
en el centro de las ciudades reprimidas
por la cobarde falta de opción.
Llora payaso!
vierte tu cansancio...
Moja con tus lágrimas el dolor;
olvida tus lastimaduras, tu mal de amor.
Llora para aliviar tu amargura,
pero, ve si no borras el maquillaje
el espectáculo continúa, y tu imagen
tiene que estar en perfecto resplandor.
Rose Arouck
SP-Brasil

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